Tuesday, September 18, 2012

Estamos emburrecendo com a tecnologia?

Tecnologia é mais que uma palavra hoje em dia. A vida virtual e a extensão dela para todos os nossos aparelhos eletrônicos têm uma interferência substanciosa em todos os aspectos do cotidiano. Mesmo a galera que não é muito ligada em circuitos admite que estamos em um estágio de desenvolvimento galopante no que se refere a novos meios de fazer as coisas.
Estamos bem mais aparelhados do que as gerações que viveram antes da gente. Grande parte da população tem Internet, celulares com câmera, carros inteligentes (tá, um pouco menos aqui no Brasil), roupas leves, tratamentos de ponta e milhares de redes sociais para integrar. Muito legal tudo isso, mas e nós?
Bem, nosso hardware permanece o mesmo há pelos menos cinco mil anos, aproximadamente. Quanto ao software, temos que as pessoas ao redor do mundo inventaram diversas plataformas para lidar com suas necessidades, mas também esses programas evoluem a passos lentos e estão fortemente atrelados à parte física. 
Trocando em miúdos, nossa forma de comportamento, falando numa perspectiva macro, não se alterou essencialmente desde que o mundo é mundo. Continuamos amando quem nos ama, odiando que nos odeia. Continuamos inventando coisas e manias novas, jeitos de construir e de entreter. Existe tanta coisa boa para ver que bate uma desorientação em quem procura, e isso tudo é muito legal.
No entanto, a impressão generalizada é de que o mundo vai de mal a pior. Acusamo-nos todos os dias de degradar os valores morais e de não ter mais respeito por nada. Noções de autoridade, civilidade e boa educação estão minguando mais rápido que poços de petróleo. Continuamos matando, roubando e destruindo a nós mesmos e a todas as diferentes formas de vida possíveis com criatividade igualmente ímpar.  
Fica claro, então, que nós, seres humanos, não mudamos muita coisa desde que assumimos essa configuração. Ainda temos as mesmas capacidades e os mesmos debilidades de outrora, mas agora com mais meios de potencializar aquelas e minimizar estas. E quem vier depois vai ter mais ainda, mas continuará sendo feito de carne, osso e, quando muito, pinos e chips. A tecnologia em si é uma faca de dois gumes que a gente amola a cada dia que passa, cortando mais fundo pros dois lados ao mesmo tempo. Desse quiproquó sem fim, três bugs ainda restam soberanos, sem previsão de reparo: a fragilidade dos laços, a mediocridade das promessas e a maldade dos corações. Estamos precisando de uma atualização.

Wednesday, February 01, 2012

O legado que deixamos


Minha família perdeu recentemente uma pessoa muito querida, de quem todo mundo gostava. Tinha coração puro e olhos brilhantes, cheios de Paz. Foi um golpe duro, sentido e ressentido em Goiás e em Minas Gerais.
Vendo tamanha comoção no seio familiar, me pus a pensar sobre o que faz alguém sentir tanta falta de outra pessoa quando esta não se encontra mais entre os viventes. Por que alguns têm a morte pranteada e chorada à exaustão, enquanto outros sequer são notados ou lembrados?
Vão-se os dedos, os cabelos, os olhos, o corpo. Ficam os anéis, as roupas, os óculos e tudo o mais que restou. Objetos, no entanto, podem ser de outra pessoa. Mesmo os órgãos podem ser aproveitados e doados para um estranho necessitado.
Até onde a vista alcança, deixam saudades as pessoas que fizeram diferença para um mundo melhor, mesmo que esse mundo não tenha passado de um outro ser humano. Assim, o que fica da gente é o que fica nos outros. É a nossa influência, aquilo que fizemos de bom e de ruim a todo mundo. E é só.
No fim, o que fica da gente é só um pouco de alma. Alma que ficou aprisionada no coração das pessoas, que usaram um espacinho seu (voluntariamente ou não) pra guardar a lembrança do que fomos. Ter o legado preservado e lembrado, então, não é uma decisão consciente, algo como "quero que as pessoas se lembrem de mim". Talvez o mais importante seja realmente viver, aproveitar a intensidade de tudo.
Não digo se entregar aos prazeres e não se importar com mais nada, mas se dedicar àquilo e àqueles que nos fazem bem, buscar as coisas que queremos com amor e obstinação. Sim, porque, lá fora, a vida pulsa e explode em cores e rodopios, e existe muito o que fazer com um pouco de disposição.

Quanto a mim, não sei o que vou deixar de legado pra quem fica, até porque há muitas lutas pra administrar agora. Não que eu pense muito a esse respeito também - você vê, foram só algumas linhas. O que sei é que o exemplo de minha prima deixará lembranças boas, vívidas e duradouras em todos os que a conheceram. Vovó que o diga.

Wednesday, December 21, 2011

2011

Intenso. Essa é a palavra que definiria minha vida em 2011. Definitivamente, eu vivi com muita paixão os dias que se passaram. Não que tenha sido de todo bom.
O ano foi claramente dividido em duas partes pra mim. O início do primeiro semestre me trazia ventos de esperança, porque eu havia praticamente finalizado uma parte terrivelmente difícil da minha vida, que foi a monografia a distância. Eu estava confiante de que tudo iria bem e só precisaria viver normalmente para ter uma boa experiência, tocar meus sonhos e ajeitar a vida.
A coisa ficou ainda mais interessante com a viagem de carnaval, quando fui pro paraíso ao lado de outro paraíso. Veio, então, o clímax com a minha colação de grau - definitivamente, um dos momentos de maior êxtase na minha vida.
Tudo ia bem até que veio o meio do ano. Férias pequenas, pedregulhos emocionais entrando no sapato, remanejamento da vida pra segunda parte do ano.
Em agosto a situação ficou preta. Fiquei com a visão turva, tomei caminhos errados, investi meus níqueis em bois que não eram para mim, fiquei endividado e sozinho. Nunca esperei tanto que um mês passasse.
Setembro trouxe ventos de esperança e renovação. Fui começando a me reconstruir, até que, do meio para o fim do mês, veio o grande choque. E foi mau.
Foi então que decidi me fortalecer. Voltei pra academia, entrei na aula de dança, busquei meus amigos, meus quase amigos, meus colegas, meus conhecidos, todo mundo. Enquanto isso, vi e tomei atitudes impensadas, das quais certamente não me orgulho, mas que foram necessárias.
Meu, 2011 me trouxe tanto aprendizado... A maior parte dele, sim, no segundo semestre, e na base da paulada e da punhalada. Eu vivi tanto em 360 dias que parece que foram dois ou três anos. Percorri um grande espectro de sentimentos e emoções. Percebi-me mais humano, mais limitado, mas também mais consciente de mim mesmo e das minha habilidades. Eu me tornei mais forte e versátil.
E agora estamos em dezembro. O ano finalmente termina. Engraçado o finalmente... Em geral eu diria "mas já?". Mas não... Eu realmente quero que esse ano termine, e me deixe apenas as lembranças boas, o aprendizado e o amadurecimento. Mesmo porque não tenho tempo nem espaço pra guardar coisas ruins.
Em tudo que aconteceu, porém, vejo agora a presença firme e constante de Deus na minha vida. Se por ignorância, petulância ou teimosia, não fui merecedor de tanto aprendizado em tão pouco tempo, e mesmo assim Ele me conduziu com amor e paciência, e permitiu que meus pesadelos terminassem antes do dia 31.
Para 2012, não espero nada menos arrochado. Existe mesmo uma onda de pessimismo que se alastra na minha geração, então as coisas com certeza não estão muito boas. Mas é na confiança no Grande que tenho agora e na maturidade que adquiri que sigo tateando, batendo e apanhando. A vida é boa, e vale a pena. Quero viver cada instante com os olhos abertos e o coração bacana. Que 2012 seja melhor, e ainda mais intenso.

Thursday, October 06, 2011

Brinquedos quebrados de nossas vidas



Sempre gostei muito de brinquedos. Até hoje eles exercem um grande fascínio sobre mim, e são um hobby na minha estante. Meu quarto, como um todo, traduz um pouco do meu pensamento lúdico e até pueril, às vezes.

Naturalmente, à medida que vou crescendo, também crescem a complexidade e o nível de detalhes dos brinquedos que compro. Hoje gosto de bonecos e carrinhos que não durariam um minuto nas mãos de uma criança. Gosto mais de uns do que de outros, brinco com as poses aqui e acolá e, eventualmente, alguns acabam quebrados.

Quando isso acontece, tento com todo o esmero consertar o braço quebrado ou a rodinha empenada. Porém, às vezes tenho de aceitar que alguns estragos não têm reparação. Então retiro o camaradinha da estante e guardo-o na caixa.

A questão é que minha consciência vive brigando comigo por causa dessa "coleção". Eles ficam lá, praticamente sem uso, mas eu resisto muito à idéia de doá-los. Olhá-los em seu lugar, mesmo que seja dentro do guarda-roupa, me traz um pouco das lembranças que vivi no tempo em que eles eram os meus preferidos.

Esse comportamento egoísta, admito, não se justifica do ponto de vista da caridade. Um carrinho de três rodas pode ser a melhor coisa do mundo para uma criança que mais nada tem. No entanto, para mim aquelas três rodinhas são apenas um lembrete de que uma está faltando, e que as quatro o faziam deslizar pelo chão.

Vejo o fenômeno se repetir não somente em mim mesmo, mas em muitas pessoas que guardam relações deterioradas, apenas pela mistura de consolo e prazer que a coisa ou pessoa guardada proporciona. E isso ocorre em todas as gerações. Do bebê que apenas curte o chocalho quebrado no canto do berço, passando pelo garoto que não joga a bola furada fora, pelo rapaz que se recusa a deixar a garota de seus sonhos ser a dos sonhos de outro, até os senhores que juram ter um casamento bem sucedido, apenas por dormirem na mesma cama que suas já não tão amadas senhoras.

Duro me foi experimentar tal aprendizado. Expor-me assim, então, parece mais uma cacetada de misericórdia, mas é importante para expurgar os fantasmas. No fundo, todo o palavrório se resume a um amargo brocardo: ainda pior do que perder é ter de ceder.

Friday, September 16, 2011

Meu erro




Meu erro é me importar demais com algumas pessoas, achando que elas farão o mesmo por mim ou aquilo que eu espero que elas façam. Não ter a noção completa de uma situação me limita, e eu só vejo aquilo que quero.

Meu erro é ser preguiçoso e indolente, deixando tudo pra depois. Sempre acho que existe tempo sobrando pra fazer o que tem de ser feito, e que falta tempo pra fazer o que gosto de fazer.

Meu erro é não ter atitude, não firmar o golpe. A hesitação é algo que me assombra e por vezes me domina, me paralisando diante de um evento importante.

Meu erro é valorizar demais certas atitudes. Se por bem ou por mal, deixo aquilo virar uma cicatriz enorme, e nunca mais me esqueço de algo que me machucou.

Meu erro é ser ingênuo. É acreditar em tudo que me dizem e não questionar. Deixo-me vencer pelo cansaço quando alguém insiste muito e bota emoção.

Meu erro é pensar devagar. Não tenho uma resposta pronta quando alguém me ofende, e preciso analisar quando aparece um desafio que exige uma resposta certeira e contundente.

Meu erro é me conformar. É pensar que estou deitado em um colchonete e, podendo me deitar em um king size com o devido esforço, permaneço na inércia, dizendo esperar o momento certo para me mexer. Mesmo a metáfora de se deitar é um erro.

Meu erro é correr poucos riscos. Abomino a idéia de abandonar minha zona de conforto, e é difícil encontrar coragem para tentar uma coisa nova.

Meu erro é dormir pouco. Sem disposição e energia para enfrentar um dia novo, tudo parece se renovar na mesma letargia, como um ciclo mórbido sem fim.

Meu erro é a inação. É não lutar pelas causas em que acredito, não me mobilizar por meus ideais. Não fazer a diferença é tão nocivo quanto o mal em si, e reclamar da situação sem nada fazer apenas aumenta o veneno.

Meu erro é a hipocrisia. É dizer algo apenas pra ser aceito, pra ser querido. Não está certo, é óbvio, mas acontece. Dizer isso já é ser hipócrita.

Meu erro é ser egoísta. Tenho dificuldades em dividir aquilo que me é dado, ou que conquistei. Repartir não é algo que faço naturalmente.

Meu erro é ser carente. Tendo um dia sido suficiente para mim mesmo, hoje me vejo tão dependente e frágil em relação a outras pessoas.

Meu erro é querer tudo fácil. Pouca disposição para lutar praticamente, não obstante fantasie no meu imaginário grandes batalhas e epopéias, que não passam de roupas de gala para os desafios do cotidiano.

Meu erro é não evoluir. É ser apenas mais um no meio da minha geração embriagada e fútil, mesquinha e mimada. É ter potencial e formação para ajudar a fazer mais pelo País e pelo mundo, e não mexer um dedo.

Meu erro é não aprender com meus erros. É errar a mesma coisa cinquenta vezes para aprender, e depois esquecer. É a completa falta de atenção em todos os níveis, o mais profundo do absenteísmo frente à realidade.

Meu erro é a comiseração. É ter peninha de mim mesmo, do quão bruto e ignorante eu sou. É me julgar grosso e sem refinamento, sem jeito, sem paz. É me sentir fraco e impotente, estando armado até os dentes.

Meu erro, enfim, é não ser o que fui concebido para ser. É ignorar minha missão, meus objetivos, meus talentos. É não saber o que fazer, nem por onde começar. É ter tantas perguntas sem resposta, tantas dúvidas, tantos arrependimentos, tantas correntes. Meu erro, camarada, é ser o que sou agora.

Tuesday, September 06, 2011

Pensamento de última hora

"Você não pode pensar muito, senão não faz".



Ah, a razão... O instituto supremo dos seres humanos, a ferramenta pela qual somos capazes de entender e discernir as coisas que sucedem ao nosso redor. A antítese da emoção pura, enfim, da ação caótica e não planejada.

A complexidade do ser humano me causa fascinação e estranhamento. Nossa natureza sempre oscilante parece gerar uma espécie de equilíbrio pra que a gente seja capaz de se adaptar ao cotidiano da forma que pareça mais adequada ao momento.

O discernimento é uma obra admirável de nossas mentes. Ele permite que planejemos e sejamos capazes de traçar rotas e linhas de ação antes da execução de uma evento. No entanto, pensar exige tempo. E tempo é tudo que não precisamos quando estamos prestes a começar algo, pois pode ser que surja um único pensamento infame, que pode colocar tudo a perder. É o demolidor da pouca certeza, aquele que sempre começa com um "Mas...".

O pensamento de última hora é a completa transformação da hesitação em reação visível, a última linha de defesa de quem ainda tem uma sombra de dúvida e se permite tempo para erradicá-la. É quando aquele medinho nos paralisa por um instante e nos faz perder o momento do bote rumo ao desconhecido.

Nada mais verdadeiro do que dizer que, para algumas coisas, não se pode pensar em demasia. De fato, esmiuçar todas as nuances na iminência da ação é algo impensado para quem busca sucesso. O que parece dar o melhor resultado é cultivar um estado mental positivo e confiante, forte e rápido para executar as ações do ponto de ignição. Afinal, metade da vitória tem de estar em nossas mentes, já perfeitamente construída. É pra isso que pensamos.

Tuesday, March 15, 2011

Dependente

Eu estava na aula, um pouco distraído, porém com os ouvidos abertos ao que se passava. Ao ser interpelada pelo professor sobre qual tema gostaria de trabalhar na monografia, uma colega disse que era apaixonada por Direito Penal, e que adoraria abordar alguma coisa nessa seara. O professor, então, disse: "legal! Eu não sou apaixonado por Direito nenhum. Sou apaixonado pelas pessoas, e elas me fazem buscar com afinco aquilo que me parece interessante."

Já se passou algum tempo desde que essa aula aconteceu, mas só agora essa frase está passando pela minha cabeça. E nas minhas divagações, vi que também eu faço a maior parte das coisas que faço por causa de outras pessoas. O cara tinha razão.

Claro que não dá para generalizar. Afinal, também fazemos coisas simplesmente por gostarmos daquilo, sem que a relação com outras pessoas interfira. Para mim, no entanto, perceber que essa é a exceção, e não a regra, foi bastante desafiador, porque eu pensava justamente o contrário. Gostava da idéia de ser um pouco independente, de poder dizer para mim mesmo que não dependo tanto dos que estão a minha volta, mas parece que estava enganado.

Comecei então a perceber o poder de contágio das emoções, tanto das alheias como das minhas. Gosto de observar tudo, e tamanha influência está ficando mais clara paulatinamente, nos gestos e olhares do cotidiano, como luzinhas que se acendem. Talvez seja parte do processo de envelhecer.

Saturday, November 20, 2010

Não pode parar

Tirando as teias de aranha, sacodindo poeira daqui e dali. Abandonada esteve esta parte de minha vida por sabe-se lá quantos meses (oito, talvez). Mas fiz uma promessa pros poucos seguidores que restaram, então cá estão retomadas as atividades do blog.
Não tenho muito a dizer agora. Estou perto de acabar um dos meus cursos, e apesar de estar um pouco relaxado agora, tenho sempre a sensação presente de que não se pode dar mole pra tranquilidade.
Nunca tive tão clara a noção de passagem do tempo como agora. É como uma névoa que passa muito rápido. Mesmo as segundas feiras passam rápido. Os trabalhos, às vezes chatos e mesmo sendo muitos, passam rápido. Até as mancadas estão voando. Minha barba, sinal antes incipiente de que meu corpo quer ser adulto, está crescendo freneticamente, como se a próxima lâmina fosse a última.
Quer seja isso algo bom ou ruim, vejo que muita gente tem consciência, mas temo que estejamos rápidos demais para pensar em pensar sobre a vida. É como um carro que, depois de atingida certa velocidade, perde a direção e os freios. Bizarro é que quem não dispara na correria acaba sendo alcançado por algum moinho ou bala violenta. E ver outros em parelha, na mesma toada, só torna as coisas mais assustadoras.
Estranho, parece que tem tanta coisa que quero fazer, mas acho que não vou ter tempo de fazer a metade. Ver o progresso de tudo e não poder parar pra observar chega a ser tantalizante. Mas é melhor parar de reclamar e seguir em frente. Afinal, esse post foi pra tirar a poeira. Melhor voltar a correr antes que minhas pernas esfriem.

Monday, March 08, 2010

Meu primeiro livro


Meu primeiro livro saiu do forno! Tá legal, não é bem um livro, é uma coletânea de todos os meus textos do blog. Não que eu tivesse programado tal coisa ou mesmo disso soubesse. Papai e mamãe que fizeram tudo e pensaram na idéia de colocar tudo no papel. Ser escritor, se é que posso dizer, mesmo que por hobby e esporadicamente, nunca foi um sonho. Não que eu seja avesso ao rótulo. Apenas nunca foi uma prioridade. Talvez por isso eu só escrevo quando sinto vontade, quando acontece alguma coisa diferente e a centelha da imaginação dispara "isso daria um bom texto!". No entanto, mesmo que o ato de escrever seja sem maiores pretenções e algo amador para mim, não posso negar que aqui existe um bom pedaço de mim e da minha vida. Às vezes me parece até megalomaníaco o pensamento de ter um livro escrito e impresso, mas agora que está bem aqui, na minha frente, dou-me ao luxo de sentir certo orgulho. Nada de exageros, apenas o bastante pra ficar entusiasmado e seguir tentando me superar em todas as áreas da vida.

Thursday, February 25, 2010

Diplomacia familiar

Há muito tempo, havia um pequeno muro que dividia as áreas da minha vó e da minha tia. Tinha apenas 1,5m, foi feito pra que as pessoas pudessem ver do outro lado.
A construção, no entanto, já parecia não resistir ao teste do tempo, como eu e meus primos constatamos por meio de insistentes chutes voadores. O muro tremia, e parecia prestes a cair.
Eis que certa feita, mais determinados que de costume, começamos nossa tortura ao muro quando uma rcahadura apareceu. Vovó, intrigada com a balbúrdia dos moleques, também se achegou para pô-lo abaixo. E não há descrição que relate com fidelidade a alegria que sentimos ao ver a parede encardida envolta em poeira e bichos espatifar-se no chão.
Quem não gostou nada, porém, foi minha tia. Ela gostava do muro! O muro era importante para que nosso futebol arte não arrasasse suas plantas. E também, o muro caiu pro lado da área dela, sendo que nenhum demolidor restou depois da travessura pra ajudar com a limpeza.
Indignada, limpou toda a sujeira. Em menos de uma semana, eis que surge um novo muro, mais grosso, indo até o telhado, pintado na mesma cor da casa dela.
Parece-me, afinal, que não existem tantas diferenças entre um muro divisor de alpendres e uma fronteira internacional. Atitudes impensadas, interesses a proteger e negociações para tudo estão bem debaixo dos nossos narizes, são características das relações humanas. O jogo de forças que faz os países se mexerem ou estagnarem é o mesmo que define se um portão elétrico deve ou não ser instaldo. As proporções e a complexidade dos dois casos não podem se comparadas, mas a mecância social é a mesma.
Ora, se até dentro da família a gente tem problemas de convivência, pergunto-me se a paz mundial não é uma utopia. Bem, é um assunto deveras sério pra ser pensado em poucas linhas. Mas o muro caindo é uma boa lembrança e ainda me faz pensar...

Monday, January 04, 2010

formspring.me

porque você simplesmente desapareceu?

Eu não desapareci. Espera aí, de onde?

ja amou?

Não assim, no passado. Amo agora.

Ask me anything

A Palavra e o vento

Domingo é dia de ir à igreja aqui em casa. E não se vai pra igreja sem a palavra de Deus, a bíblia. Eu tenho um histórico de esquecimento de bíblias bastante vasto, mas digamos que ontem eu tenha levado a minha de um jeito nada ortodoxo.
Enquanto o sol se aninha no horizonte, eis que a família se apronta para ir ao culto. Passamos no castelo amarelo pra pegar a princesa. Perto dos castelos sempre há monstros. Enquanto esperávamos, eu e meu pai descemos e começamos a conversar sobre uma moto frankenstein que ali havia. Tal qual a personagem da ficção, aquela criação tinha peças de várias de suas semelhantes, nem sempre colocadas de forma harmoniosa. Mas tinha bons freios.
A princesa chegou, todos a bordo, lá fomos nós. Mal começamos a andar e ouvimos o som que ninguém gosta de ouvir: o da buzina do carro de trás. E ninguém entre nós se deu ao trabalho de olhar, posto que se tratava de grande rudeza, exceto eu. Uma senhora gordinha e de rosto fechado acenava de forma intermitente com o gesto que em outras circunstâncias poderia significar "passe por cima!". Estando ela atrás, porém, não entendemos aquilo e pensamos que ela estava apenas querendo não ser legal com a gente.
Continuamos nosso caminho para a casa de Deus, almas cândidas e serenas, quando de novo soa a buzina para nós. Surge ao nosso lado um motociclista em sua galante moto, óculos escuros, todo de preto. Acho que disse algo assim:
- Ei! Tem um livro em cima do porta-malas!
E quando olhamos todos, a surpresa: lá estava a bíblia. A minha bíblia. Alguém a colocou no porta-malas enquanto falava da moto frankenstein (e não foi meu pai). Lá estava ela, pegando um ar, parecendo não se importar com o ventinho. Paramos como deu, o resgate aconteceu sem maiores problemas e seguimos nosso caminho.
Pois é... E a senhora gordinha estava apenas sendo legal em nos avisar... Se eu fosse bom em julgar as pessoas como sou em esquecer minha bíblia, provavelmente não precisaria ir à igreja.
Tal episódio, por fim, me fez respeitar três coisas: a aerodinâmica dos sedans(no terceiro volume parece não haver quase nenhuma resistência do ar), o processo de fabricação das bíblias(feitas pra aguentar tudo, inclusive esquecidos contumazes) e o peso da Palavra(vento nenhum leva embora).

Thursday, December 31, 2009


É... Até que 2009 não foi ruim, não. Posso dizer que cumpri muitas das promessas que fiz pra esse ano, o que me deixa feliz. Claro que ainda não está como eu gostaria, mas já estou mais perto do que ano passado. E espero que no próximo ano as coisas melhorem...

Começando por escrever mais!

Friday, November 27, 2009

Faxina no orkut

Hoje eu entrei no orkut e percebi o mundo de comunidades inúteis que eu tenho. Resolvi então fazer uma faxina.
É, as coisas mudam. As cabeças também. Antes eu achava que as comunidades poderiam ser um meio de expressão e até de diversão, e que quanto mais eu tivesse delas, mais legal iria parecer o meu perfil.
Agora eu não ligo muito pro que pensam do meu perfil. O que não me parece bom, no entanto, é que muitos daqueles grupos refletem alguém que eu não sou mais. E quando vi aquele mundo de comunidades, decidi que era hora de fazer uma limpeza.
Quando vi que precisava deletar uma a uma, veio logo a idéia de excluir o perfil e fazer um novo. Se o fizesse, teria de adicionar meus amigos de volta e minhas fotos também. Comparando as preguiças, fiquei com a de apagar as comunidades.
E nem dá pra comparar meu perfil com aminha vida, porque enquanto o orkut está cheio de coisas inúteis, até que na vida de carne e osso eu estou indo muito bem. Pra se ter uma noção, até nota boa eu tô tirando.
No fim, é com essa vida que a gente tem de se preocupar. É aqui que estão as pessoas, os sorrisos e os choros, a vida e a morte. Meu perfil ainda está bagunçado, mas enquanto a minha vida estiver boa, grande problema não será.

Wednesday, November 25, 2009

Tesoura de tempo


"À medida que você envelhece, diminuem as suas possibilidades."

Estava eu conversando com meu tio a respeito de meus planos acadêmicos, quando ele disparou essa frase. Apesar de tê-la achado óbvia na hora, ela me deu muito o que pensar nos dias seguintes.
A conversa mudou de "meus planos" para "o que temos em comum" ou ainda "o que você está fazendo da sua vida, rapaz?". Titio fez jus a seu sobrenome italiano: falava animadamente, gesticulando e conciliando paradas estratégicas com olhares incisivos.
Acabou-se a prosa e eu fui embora com aquela idéia. Então, começaram a pipocar figuras na minha cabeça que tentavam traduzi-la. A primeira era a de um foguete, especificamente no ponto em que se livra de seus muitos módulos de combustível. Antes eram um auxílio, mas depois de conumida a energia, nada mais são do que peso inútil. A partir daquele ponto os pilotos não têm muitas opções: ou eles chegam ao destino, ou não haverá muito que possam fazer.
Mas uma outra imagem, mais simples, me fez entender melhor. Nossa vida é como uma fita. A gente começa com uma fita grande, a perder de vista, mas que vai diminuindo dia após dia. O tempo vai consumindo a fita, até que não haja mais fita. Tudo que sobra são retalhos.
Nossa vida, nossas possibilidades, a tira, tudo fica em pedaços. Curiosamente, quanto menor for o pedaço que tivermos, mais pesado será. Até não sobrar mais nada. Nada pro tempo cortar.

Thursday, October 29, 2009

@ net eh lívre xD~

Na internet, qualquer um pode falar a respeito do que bem entender. Temos a língua e o rabo soltos no ambiente virtual. Nada de meias palavras, diriam os mais afoitos. Ou seria nada de palavras inteiras?
A rede é um ambiente muito democrático e, graças a essa característica, permitiu a propagação do conhecimento e da livre manifestação do pensamento, o que é maravilhoso demais mesmo pra minha geração, que já nasceu com a liberdade no colo.
O que me deixa incomodado nesse cenário tão belo é que algumas ciências simplesmente não acompanharam a evolução que a internet trouxe. Veja, por exemplo, a língua portuguesa. Mesmo em fóruns especializados, em qualquer que seja o tema, podem ser vistas grandes atrocidades quando o assunto é o correto tratamento do infeliz idioma. O pior de tudo fica por conta da baixa disposição que temos de querer seguir regras, ainda mais num ambiente em que elas tecnicamente não existem.
Se cada internauta escreve do jeito que quer, é um favor que faz à diversidade. A credibilidade do que é dito, porém, nem sempre goza do mesmo privilégio. É difícil levar a sério um palpite cheio de erros grosseiros, mesmo que o assunto seja importante ou que o conteúdo ali expresso seja de fato verdade.
Também não dá pra dizer que a maioria tenta escrever certo. Com tanto dicionário e site de gramática por aí, o mais provável é que isso simplesmente não seja um problema ou uma preocupação pra muitos de nós.
Bem que eu acho importante saber se expressar até na internet, mas jamais poderia culpar aqueles que exercem seu direito de escrever com menos rigor. Afinal, também eles não podem me condenar por não acreditar em tudo que leio. No fundo, é bom que seja assim. Pior seria se todo mundo fosse obrigado a escrever de um único jeito mesmo no mundo virtual. Se pelo menos a gente conseguisse guardar os erros só pra internet...

Wednesday, October 28, 2009

Sobre o destino

É estranho. Enquanto algumas pessoas simplesmente acreditam no destino, que seria uma sucessão de fatos aleatórios e inevitáveis, outras recusam tal conceito e lutam com unhas e dentes a fim de serem donas de seus respectivos narizes. Posso me considerar pertencente ao segundo grupo, mas é inegável que às vezes é necessário dar o braço a torcer.
Eis a nossa vida. Estamos todos correndo, tentando aproveitar o tempo e salvar a pele. O fato é que as atitudes das outras pessoas têm influência sobre as nossas vidas, e vice-versa. E por mais que tentemos, nem sempre somos capazes de prever com eficiência o que devemos fazer quando acontece algum revés.
Por isso mesmo, é bom lembrar que nossa independência em relação ao resto do mundo é limitada. Seja pela lei, seja pelo amor, ou por qualquer outra força maior do que a nossa, somos obrigados a fazer curvas e ter responsabilidades.
E antes que a auto-ajuda tome conta e flores voem pelo ar, duro é constatar que nem sempre os outros se encontram dispostos a cooperar com os nossos objetivos. Também não é da maior esperteza deixar que tudo se arranje por si mesmo. Afinal de contas, que motivos teria uma pedra para se mexer e rolar para o acostamento? Vai continuar sendo uma pedra no meio do caminho.
No fim das contas, importante mesmo é se mexer, reagir. Não significa, porém, que tenhamos de passar como uma patrola pelos outros. Significa que é bom querermos ser donos dos nossos narizes, mas também que devemos estar preparados pra possíveis reviravoltas. E sem culpar o alinhamento dos planetas.

Thursday, September 03, 2009

Barreiras humanas

Não faz muito tempo, escrevi aqui sobre uma dificuldade minha em cumprimentar pessoas, especialmente mulheres. Há muito tempo, porém, um outro apuro me aflige.

Que atire a primeira pedra quem sempre soube pra que lado ir quando cruzou com alguém que vinha em sentido contrário. Parece tão sem propósito sobre isso discorrer, mas as experiências vividas no dia de hoje mais do que justificam algumas considerações sobre tamanha hesitação.

O que me admira é que saber pra qual lado ir quando vem alguém nem sempre é um esforço consciente, mas em alguns casos, somos obrigados a interromper nossos pensamentos para encontrar uma solução pra esse obstáculo. E não é drama dizer que de vez em quando rola um constrangimento quando ambos os indivíduos vão pro mesmo lado.

A coisa fica boa quando as duas partes resolvem ir pro outro lado, um ato automático, a solução mais simples. O impasse, porém, permanece. Certa feita, numa dessas barreiras humanas, o homem que me barrava chegou mesmo a falar “eu vou pra cá, e você vai pra lá”, tão grande foi a indecisão naquele pequeno instante.

Talvez exista um pouco de orgulho em seguirmos no mesmo caminho até que uma mudança se torne inevitável. Pode ser também a mais pura desatenção, que é o que ocorre com este escritor.

E veja, na hora parece um tanto constrangedor que não consigamos nos decidir pra onde ir. Somos capazes de resolver problemas complexos e aprender coisas difíceis, mas engasgamos nossos passos muitas vezes durante a vida com esse pequeno impasse. Melhor mesmo é lembrar com humor esses episódios. Antes eu me irritava, hoje acho engraçado. As coisas mudam. Nossos caminhos mudam. Só não muda a necessidade perpétua de refinarmos nossa habilidade para nos desviarmos dos outros.

Sunday, July 12, 2009

Nada sob os pés

Existem esperiências pelas quais a gente nunca passaria se algo não desse errado. Foi o que aconteceu hoje.
Meu chinelo de dedo arrebentou-se enquanto eu corria pra atravessar uma rua. É uma mania que eu guardo de recordação da minha infância. Peguei o par, resmunguei um "dane-se" e continuei sem eles. Assim, tive a oportunidade de andar algumas quadras descalço essa noite, experência tão simples quanto assustadora, considerando-se os padrões de higiene que me foram ensinados.
Parece óbvio, mas é sempre bom deixar explícito: andar descalço na rua é diferente de andar descalço em casa. Tão estranho quanto os olhares que recebi das pessoas foi a sensação de tocar o solo, sentir em detalhes a textura do asfalto, da calçada, da terra e da grama. Quanto a meus pés, a princípio apressados, logo trataram de andar num ritmo regulado, porém analítico.
Pude então sentir o que sentem os miseráveis, aqueles que mal podem cobrir seu corpo e não têm o luxo de ter qualquer proteção sob seus pés. Cada passo pra eles é mais um passo rumo à incerteza. Não sabem se irão se machucar, tampouco podem se garantir que é certo o caminhar em direção ao seu destino. Ao andar descalço na rua, aprendi a escolher melhor os meus passos e a atentar para meus sentidos.
Quando cheguei em casa, tão limpo estava o piso, e tãos sujos os meu pés, que cada passo virava uma pegada. Lavados os pés e limpa a casa, não pude fechar os olhos enquanto não organizasse as ideias sobre esse episódeo e aqui o eternizasse, para me lembrar sempre das lições que jamais aprenderia se tivesse um chinelo mais resistente.

Wednesday, July 01, 2009

Balões de vida


Era uma manhã serena de sábado e eu e meu pai resolvemos aproveitar o sol ainda fraco pra correr um pouco. O céu azul era um convite ao passeio.
A princípio caminhando, seguíamos até o parque, quando por nós passou uma senhora em sua cadeira de rodas, também dando uma volta com sua cuidadora pra aproveitar o tempo bom. Instantes depois, passa por nós outra babá, empurrando um carrinho com um bebê a bordo. "Olha que coisa interessante", disse meu pai. E fiquei a pensar sobre aquilo durante a corrida.
Lá estávamos nós, cheios de fôlego e vigor, independentes e fortes. Um dia fomos tão desprotegidos e indefesos como o bebê, e é provável que num futuro ainda distante nos tornemos frágeis e dependentes como aquela senhora.
A vida é mesmo como um voo, mas seria ingenuidade compará-la a um avião. Ora, aviões decolam, voam e pousam autonomamente, e nós não. Não nascemos com asas ou motores - não externamente, pelo menos. Precisamos de algo que nos lance no ar e de sorte suficiente pra conseguir um bom tempo, uma vista agradável e um voo prolongado.
Quanto ao pouso? Bem, nada de rodinhas, amortecedores ou freios. Quando o declínio se anuncia, carecemos também de alguma assistência. O desgaste do tempo nos rouba um pouco da destreza e do traquejo que adquirimos enquanto voávamos.

No fim, talvez a gente seja mesmo como balões de água. Veja, eles também não têm asas nem motores, e precisam ser lançados ao ar para que voem. Também vêm em muitas cores e podem trazer diversas emoções consigo, a depender de quem os recebe. Além disso, todo balão de água um dia estoura. Podemos pegá-los com cuidado e dar-lhes alguns intantes a mais de decência e dignidade, mas no fim, tudo vira água.