
Estava eu conversando com meu tio a respeito de meus planos acadêmicos, quando ele disparou essa frase. Apesar de tê-la achado óbvia na hora, ela me deu muito o que pensar nos dias seguintes.
A conversa mudou de "meus planos" para "o que temos em comum" ou ainda "o que você está fazendo da sua vida, rapaz?". Titio fez jus a seu sobrenome italiano: falava animadamente, gesticulando e conciliando paradas estratégicas com olhares incisivos.
Acabou-se a prosa e eu fui embora com aquela idéia. Então, começaram a pipocar figuras na minha cabeça que tentavam traduzi-la. A primeira era a de um foguete, especificamente no ponto em que se livra de seus muitos módulos de combustível. Antes eram um auxílio, mas depois de conumida a energia, nada mais são do que peso inútil. A partir daquele ponto os pilotos não têm muitas opções: ou eles chegam ao destino, ou não haverá muito que possam fazer.
Mas uma outra imagem, mais simples, me fez entender melhor. Nossa vida é como uma fita. A gente começa com uma fita grande, a perder de vista, mas que vai diminuindo dia após dia. O tempo vai consumindo a fita, até que não haja mais fita. Tudo que sobra são retalhos.
Nossa vida, nossas possibilidades, a tira, tudo fica em pedaços. Curiosamente, quanto menor for o pedaço que tivermos, mais pesado será. Até não sobrar mais nada. Nada pro tempo cortar.


