Saturday, June 13, 2009

Desistir é humano

Houve um tempo em que eu achava que o ato desistir, por qualquer motivo e de qualquer coisa que fosse, era um ato que demonstrava fraqueza e submissão. Bem, essa minha forma de pensar mudou.
Hoje não entendo mais assim. O tempo passa e eu vou aceitando com menos resistência a ideia de ser humano, e por isso falho, sujeito à dor e à fadiga. A determinação de fato é um sentimento forte e que cria raízes dentro da gente, mas ninguém pode condenar outra pessoa pelo fato de ela ter desistido de algo.
Isso porque todo mundo tá sempre desistindo de alguma coisa, de algum comportamento ou de alguém. Abrimos mão de hábitos, paladares, costumes, amores, objetos e frases, substituímos de forma consciente ou inconsciente quase tudo que compõe a nossa vida. O que há de errado nisso? Nada. Na verdade, é muito bom que seja assim. Se fôssemos exatamente os mesmos desde o nascimento até a morte, que papel teria a criatividade ou para que serviria a mudança e a diversidade?
Desistir é uma atitude importante, mas nada de supervalorização. Não dá pra simplesmente jogar tudo pro alto e cruzar os braços. O quebra-cabeça não cai montado. Tão importante quanto abandonar o que não se quer mais é perseguir aquilo que agora apetece. Afinal de contas, é por isso mesmo que vale a pena desistir.
Há coisas, no entanto, de que nunca se pode desistir. Ninguém pode renunciar à sua humanidade, nem à sua identidade, nem aos seus princípios. São elementos que, por mais apagados que estejam, sempre irão compor o universo que é cada um. São a base da vida, constituem os fundamentos pra todo o resto, que cada um constrói à sua maneira.
Desistir pode ser sinônimo de inovação e crescimento, de reinvenção de si mesmo. Pode ser também fraqueza ou covardia, mas não serei quem irá dizê-lo. Só quem desiste é que sabe. Mais importante do que se preocupar com a vida dos outros é que cada um conheça a si mesmo e esteja sempre de olho pra saber quando é mais conveniente destruir para construir.


Friday, May 29, 2009

Bater perna é bom

Eu gosto de andar a pé. Gosto de subir escadas, de pedalar e de correr. Sinto-me bem com esses pequenos exercícios do cotidiano.
Outro dia ouvi alguém dizer "isso é mais fácil do que andar pra frente". As palavras entraram mansas na minha cabeça, sem provocar alarde. E numa das minhas caminhadas de volta pra casa, viajando no pensamento, fui sugado pra dentro dessa expressão.
Na verdade, andar pra frente é uma operação bastante complexa. Os que já tentaram andar de olhos fechados e os cegos que o digam. Caminhar em linha reta é um esforço que mal conseguimos notar quando estamos de olhos abertos.
Até o simples fato de colocar um pé a frente exige algum trabalho de nossos cérebros. E é algo de que nem nos damos conta na maioria das vezes, a menos que sejamos privados disso ou que levemos um tombo.
Fomos feitos para o movimento, faz parte de nós. Essa forma de pensar é tão presente em mim que me dou ao prazer de dispensar escadas rolantes, elevadores e automóveis sempre que possível. Andar, correr, pedalar e saltar são dádivas que nos levam aonde queremos, conferem a cada um de nós certa independência pra ir e vir. Precisamos usá-las enquanto estão presentes e funcionando, porque pode ser que, um dia, mesmo desejando sair do lugar, tenhamos de amargar a estática e o repouso involuntários.

Wednesday, April 29, 2009

Sobre loucos e respostas injustas

Ninguém entra numa via de trânsito rápido pra andar devagar. No eixão é assim: você entra e acelera. Todo mundo anda quase na mesma velocidade, exceto alguns apressadinhos que saem a ultrapassar e cortar os demais carros, como numa corrida de loucos.
Eu estava tranquilo, andando no limite, assim como os que estavam ao meu redor. Sinto uma boa sensação quando vejo os carros rodando harmoniosamente, as rodas girando ao contrário-até o carro mais feio e velho pareceria bonito rodando suave numa pista lisinha e bem sinalizada aquela-quando pelo flanco esquerdo chega subitamente um vulto branco.
"Sai da minha frente que eu quero passar"- a música tocando lá na sala coincidentemente traduziu em palavras a atitude nada amistosa do senhor que sobre mim avançava. No susto, freei. Meu carro faz um som legal quando freia. Parece uma turbina desacelerando. Foi meu prêmio-consolação diante de tamanho desaforo. E quando pensei em esboçar um farol alto, já estava o Speed Racer do cerrado a muitos metros de mim, cortando outras tantas vítimas de sua pressa. Merecia aquele fanfarrão uma bela buzinada, pensei. Minha buzina, porém, ficou caladinha. Por um instante julguei-me um maricas, desses que levam o desaforo sem reclamar nem espernear.
Tendo o fatídico episódeo se desenrolado pela manhã, com o passar do dia esqueci-me de tudo aquilo. Há dias, no entanto, em que apenas uma situação de estresse não parece ser suficiente. Hoje foi um desses. Sendo, pois, já noite, eis que me atrevo pela terceira vez a sair de casa. E não importa pra onde eu vá, tenho sempre de passar por uma rotatória. Em tese, quem está no balão tem a preferência. Bem, não era assim que pensava o motorista que cruzou meu caminho. Outra freada apocalíptica. Dessa vez não deixaria barato. Na hora lembrei o que se passara de manhã, e aquele outro espertinho teve o troco: um bom e ofuscante farol alto.
Já rodando em ruas retas e prestando atenção em tudo, estranhava eu a escuridão incomum. Uma olhada rápida no painel... Tava sem farol. Que vexame. Talvez quem me cortou na rotatória não tivesse me visto... E fiquei a pensar sobre isso. No fim, talvez seja melhor sofrer um pequeno desaforo do que responder de forma violenta quando não se tem certeza. É em dias assim que a minha ignorância se mostra, e eu, vendo-a tão manifesta, tenho uma visão mais clara pra tentar diminuí-la antes de fechar os olhos.

Thursday, April 02, 2009

O bilhete e a mancha

Existem dias em que até quando alguém tenta me passar raiva, acaba me fazendo é bem. Sei que é difícil de acreditar, e eu também não acreditaria, não fosse o que aconteceu hoje.
Sucedeu que, depois de muito me exercitar na academia, dirigi-me ao supermercado a fim de comprar uns iogurtes e cumprir mais um passo da dieta diária. Parei meu humilde possante no estacionamento sem me preocupar muito, e quando fui pegar a carteira e sair do carro, o tato disparou o alarme de merda: o cantil de malto ficara aberto e molhara o banco do passageiro... Tava rosa o assento.
Sem mais me demorar, logo tramei comprar uns guardanapos pra resolver a parada. Guardanapos que não comprei, pois enquanto pegava os iogurtes, lembrei-me de também comprar uma lasanha, e esqueci-me completamente daqueles pequenos e salvadores pedacinhos de papel.
Lá ia eu, tranquilo, de volta pro possante, quando vejo uma senhora de semblante não muito simpático ajustando uma folha no meu pára-brisa. Ela me viu, entrou no carro e começou uma delicadíssima operação pra tirar seu pequeno automóvel da vaga ao lado. Qual era o bilhete? "Ver se aprende a estacionar direito e para de prender os outros". Sim, foi exatamente isso, escrito com pincel atômico vermelho e em caligrafia perfeitamente legível...
Veio então uma avalanche de perguntas que supitavam no calor da raiva que senti diante de tão famigerada provocação. Primeira: "quem essa mulher pensa que é?!"-Não sei. Segunda: "será que parei errado?"-Ehr... em cima da linha. Tecnicamente correto, digamos ("quem essa mulher pensa que é?!?!"). Terceira: "será que ela encostou no meu carro?"- e desci lá pra ver. Para a sorte de ambos, lá estava o possante, ileso em sua integridade e pintura.
Tirei aquele lindo recado, joguei-a perto dos iogurtes. Retornando à base, veio a incômoda lembrança do banco molhado e cheirando a morango. Prevendo a nada agradável reação de meus progenitores diante do fato e no afã de eximir-me da culpa, tirei logo a camiseta e tentei secar o suco com a camiseta enquanto dirigia. E não é que tava funcionando?
Camisetas são boas em tirar manchas, mas o que havia ali não era um simpels derramamento acidental. O líquido rosa já se havia bandeado pra dentro da dobra do banco, sendo que o tecido da minha singela vestimenta não mais podia alcançá-lo. Precisava de algo mais fino... Algo como um papel em que estivesse escrito um desaforopra mim!
E sim, aquele recadinho veio bem a calhar. Não houve mancha que a ele resistisse. O melhor de tudo é que a folha também se rasgou toda, molhada que estava. Resultado final: uma camiseta suja, um banco limpo, uma folha A4 aos pedaços e artificialmente tingida de rosa e um sentimento de raiva transformado em vitória. Não podia ter sido melhor...


Friday, March 27, 2009

Cumprimentos travados e pessoas-caramujo

Existe coisa mais constrangedora do que um cumprimento travado? Acontece comigo direto, e não é legal.
O fenômeno do cumprimento travado é particularmente comum quando se trata de saudar o sexo oposto. Fico só no beijinho ou dou um abraço também? Eu nunca sei, e a sensação que fica é a de um programa simples que travou no meio da execução.
A tentativa de consertar, seja ela prosseguir no abraço ou afastar-se com um sorriso, só piora as coisas. Isso porque nenhuma das possíveis ações numa situação como essa soa natural. Deve ser uma espécie de limbo das relações sociais, que dura até que uma conversa se estabeleça e possa se sustentar por si só.
Parece uma coisa simples de ser resolvida, e de fato o é. O problema é que pessoas-caramujo como eu pensam demais e esquentam com coisas que nem de longe são objeto de preocupação pro resto do mundo.
Por isso, resolvi adotar uma convenção: vou cumprimentar as moças primeiro com um beijo, depois com um abraço, necessariamente nessa ordem e sem pular nenhuma etapa. O diálogo começa e tudo fica em paz. A que ponto eu cheguei... Racionalizar um cumprimento?! Explico: mais vale um cérebro pensante que um coração constrangido.

Friday, March 13, 2009

Devaneios

Minha timidez me arrebenta. Já perdi tanta coisa por conta dela. Estou cansado disso. Não que eu queira me tornar um tagarela. Preciso apensas de uma dúzia a mais de palavras.
Quero ser diferente. Quero que as pessoas se sintam bem comigo, que não fiquem constrangidas. Já fui melhor nessa parte da vida, e hoje estou assim. Como vou arrumar amigos novos e manter os velhos desse jeito? Eu não sou um bom conservador, digo, conversador.
Será que eu tenho medo de gente? Às vezes penso ser esse o problema. Não pode ser... Que absurdo! Preciso de mais coragem também, a coisa não vai ficar assim. Preciso honrar o meu nome, preciso de mais firmeza e força.
Apesar de tudo, não me sinto mal. Há dentro de mim uma felicidade residual pela conquista da Matemática Financeira. Agora tudo vai ser diferente na Federal. Vou ficar orgulhoso de mim mesmo naquele lugar.
Na verdade, quero sentir orgulho de mim mesmo em todas as áreas da vida. Eu me importo com o que penso de mim mesmo, e não com o que os outros pensam. Ainda não está muito bom, e este 2009 está aí pra gente mudar isso.
E vai ser assim. Agora mesmo, quero que tudo se exploda, o que certamente não haverá de acontecer. Quero então ser uma pessoa melhor. Colocando dessa forma, parece até que é uma questão de escolha, sendo que na verdade se trata mesmo de uma questão de necessidade... E de tempo.

Saturday, February 28, 2009

Por uns metros a mais do chão

Ah, a rodoferroviária, um lugar nada amistoso e povoado de figuras estranhas, pedintes e viajantes. Por cinco minutos, tive a maravilhosa oportunidade de esperar o próximo ônibus que iria pra Goiânia, o qual só chegaria uma hora depois.
Passado aquele tempo pra lá de bacana, embarquei e capotei. Finalmente podia fechar os olhos e pensar na vida. Acordei no meio da viagem. Minhas pernas estavam reclamando por ficarem tanto tempo sem poderem se mexer.
Ajeitei-me como pude na poltrona, abri a janela. Minhas pernas ficaram mudas. Que beleza era aquela vista... Só conseguia prestar atenção naqueles morros de veludo generosamente salpicados de árvores e arbustos. Fazia tanto tempo que eu não viajava de ônibus que havia esquecido a sensação que sentia quando olhava pela janela: parecia mesmo um voo rasante.
Poder assistir a tudo passar de alguns metros a mais do chão, ver a curva do rio, contemplar o lugar em que ninguém sabe o que é chão e o que é céu. De carro não se pode fazer isso, principalmente quando se é o motorista. Você está ali, deslizando à toda por aquela serpente esguia e cheia de curvas, praticamente sentado no chão. Se olha pro lado, só vê o borrão verde dos matos que crescem à beira do caminho.
Pois eu digo que mais belos são os matos que crescem longe do caminho. Mais bonita é a água dos rios e mais interessante é o subir e descer dos morros perto do horizonte.
E eu poderia passar uma hora falando e falando do que vi e senti, mas não faria sentido pra alguém que nunca experimentou essa sensação. Poderia ter tirado uma foto, mas veja só, fiquei sem bateria '^^. Portanto, se não quiser ficar só na imaginação, tente um dia viajar de ônibus por um caminho que você já considera bonito de carro. Vale muito a pena. Apenas lembre-se de consultar os horários de partida e chegada, e escolha a janela.

Wednesday, February 25, 2009

Eu ando com problemas pra botar as ideias no lugar. Parece que meu cérebro tá inundado com pensamentos inúteis e emoções que não valem nada.
Como tem sido difícil pensar racionalmente, separando o fato da hipótese, o que aconteceu do que ainda vai acontecer. Eu me sinto impotente quando me vejo dependendo de outra pessoa pra me sentir confiante e feliz, e isso me dá nos nervos. Na verdade, sempre me esforcei pra não me importar com o que pensam de mim, mas existem momentos em que isso é simplesmente inevitável.
E agora tá sendo assim. É estranho ver minha auto-suficiência ameaçada. Logo eu, que sempre disse que estava muito bem, que não precisava de ninguém... Agora me vejo nessa situação desconfortável. Paguei língua. Ela, aliás, é uma questão central no meu dilema, mas fiquemos por aqui quanto a isso.
Meus amigos já estão cansados de me ouvir. Felizmente, são dotados de bons ouvidos e de alguma paciência. Dormir? Claro. Ainda não perdi nenhuma noite de sono pensando em uma solução para o problema, apesar de as expectativas me deixarem um tanto dividido sempre que encosto a cabeça no travesseiro.
Como se pode ver, também me é espinhoso dizer qual é o problema. É que não gosto de admiti-lo. Considero que posso me dar a tal luxo, posto que só entra aqui gente esperta e sabida, o que me preocupa por um lado, mas por outro me deixa mais livre pra falar de forma menos óbvia.
Minha maior birra com isso tudo é que eu sei que passa. Deve demorar uns bons meses, mas passa. Eu sei que passa, mas eu não quero que passe. Não em branco, pelo menos.

Wednesday, February 04, 2009

Segredos naturais

Sabe quando você conta alguma coisa a alguém, e acontece dela soltar aquilo na sua frente e na de um monte de outras pessoas? Uma revelação daquele assunto ou fato não era sequer imaginada, mas você não disse que era segredo...
Isso tem me acontecido bastante ultimamente. Será que escolho mal as coisas que quero contar aos meus amigos? Será que escolho meus amigos mal? Bem, ainda não tenho respostas conclusivas pra essas questões, e sempre me vem uma pergunta à caixola quando penso a esse respeito: precisamos dizer que algo é segredo pra que aquilo não se espalhe? Dito de outra forma, será que o tom e o tema de um diálogo não são suficientes pra que uma pessoa determine se deve ou não guardar aquilo pra si mesma?
Parece-me que entre dois cúmplices autênticos existe o que se pode chamar de segredo natural. Numa conversa de rotina, não é necessário dizer o que deve ou não ser comunicado a outras pessoas. Eles simplesmente sacam o que é conveniente permitir que outros saibam sobre seu interlocutor. E o mais duro é conseguir construir esse tipo de habilidade não somente com as pessoas do nosso círculo íntimo, mas também com aquelas que a gente vê uma vez na vida e só.
No fim, resume-se tudo a isto: discernimento. Talvez alguém possa nos dizer algo sem mencionar que tal é um segredo, mas o simples fato de o sabermos pode sinalizar que aquela pessoa confia em nós. Então, pense bastante no que vai dizer dos outros por aí, e se for alguma fofoca ou coisa degradante, esqueça. Quantos segredos naturais você deve saber? Quantos já revelou de si mesmo?

Wednesday, January 28, 2009

O magricela de ontem



Primeeeiro dia na academia, my boy! Finalmente resolvi minha vida, encarei minha magreza e decidi de vez que deveria dar um fim nela.
Já faz um tempo que eu penso em malhar. É que não gosto de ficar parado. Sempre me meti a fazer flexões, pular corda e correr, mas nunca tive a regularidade e a persistência necessárias pra manter essas rotinas por muito tempo. Agora, porém, espero que as coisas sejam diferentes. Não que eu esteja obcecado com a idéia de ficar fortão, mas bem dá pra melhorar o pouco que existe aqui.
E quando eu falo pouco, é pouco mesmo. Suei pra fazer algumas séries. Sabe quando você pensa que tá ruim, mas na verdade tá muito pior? Pois é, esse pensamento me ocorreu enquanto eu lutava pra levantar um peso, e por alguns instantes comecei a rir de mim mesmo ali, todo vermelho e esbaforido, morrendo por levantar um pesinho de nada. Péssima ideia rir enquanto se malha: a gente perde a concentração e sempre acaba dizendo um 'que merda' no final.
Depois, hora dos halteres. Academia é um bom lugar pra se sentir diminuído. Enquanto há os magricelas se matando pra levantar coisas pequenas, há também os grandalhões, cujo braço é da grossura da coxa dos magricelas, levantando coisas pesadas e parecendo não se importar tanto com isso, na maior naturalidade.
E quando eu não aguentava mais, abdmonais. Pelo menos a esses eu já tava mais acostumado. O saldo ao final de toda a série era um rapazola tão cansado e molenga que mal se aguentava em pé. Foi difícil alongar e ir embora, mas sobrevivi. Disseram que no começo é assim mesmo.
Também disseram algo que meu braço lembrou hoje de manhã: iria doer depois. Ainda tô acreditando que a dor faz parte do processo, e espero que seja sinal de saúde e progresso.
Começar coisas novas e que exijam esforço dá um trabalho. É mais um peso que a gente passa a carregar, esperando que um dia traga resultados. Por falar em peso, tá na hora de ir pra academia. Té mais!

Saturday, January 03, 2009

Cão abandonado

Eu estava um tanto relutante em admitir, mas a verdade é que mesmo solteiros convictos como eu têm seus dias de carência. É, bem de vez em quando eu acho que seria uma boa achar alguém que me completasse e tudo. O que me consola é que esses dias são raros.
É estranho como nesses dias muda alguma coisa nos meus circuitos, como se eu de alguém precisasse pra me sentir feliz. Dá aquela sensação de cão abandonado e sem ter pra onde ir. Fico a pensar em possíveis alvos, analisando os riscos, tudo pra no final não sobrar nenhum, porque com essa crise até o mercado de mulher anda meio escasso...
Mas quando o melodrama interno atinge seu ponto crítico, começam a pipocar na memória alguns pensamentos distraidores dessa situação tenebrosa. Distração é quase sempre um alívio, mas não dá pra dizer que foi dessa vez. Por exemplo, incomoda-me o fato de que a gente é capaz de aprender coisas, evoluir a técnica, mas quando o assunto é relacionamento, parece que continua sentindo as mesmas coisas de sempre, cometendo os mesmos erros. E não somente entre homens e mulheres, mas
entre seres humanos. Nunca aprendemos, parece que as paixões não deixam. Talvez seja essa a causa de todas guerras e dos problemas do mundo(e vamos parar por aqui)!
Muito bem, depois de tanta divagação e de umas saídas com os amigos, voltei ao estado normal e tranquilo, sem me preocupar demais em ter alguém que me complete. Pode ser que encontrar uma moça bacana me ajude a ser uma pessoa mais feliz, mas não que essa seja uma meta prioritária. Ainda gosto de ser sozinho.

Monday, December 29, 2008

Promessas de pedra

Ah, cara, 2008 demorou a passar pra mim. E se quer mesmo saber, não foi um ano dos mais felizes que eu já tive. Não sei bem dizer o porquê, mas sei que não dá pra ficar assim.
Estava eu a pensar sobre meus resultados e percebi que tudo que eu conquistei nesse ano se resume a praticamente nada. Minhas notas foram só o suficiente pra passar, não fui aprovado em nenhum concurso público, minha produção musical foi mínima, meu blog ficou às moscas e levei dois foras boniiiitos.Isso sem contar que não consegui honrar algumas das minhas promessas que fiz pra esse ano.
Tudo isso me deixou muito incomodado, e foi assim, me sentindo inquieto e um tanto inútil, que resolvi fazer uma lista de metas pra 2009. São objetivos nos quais decidi gastar tempo e esforço, a fim de fazer a minha vida render. Não quero que sejam simplesmente promessas sopradas, que o vento leva embora. Precisam ser capazes de resistir aos imprevistos, ao desânimo e à preguiça.
Eu não acredito em nenhuma espécie de simpatia pra ano novo, mas se alguém me perguntasse o que muda de hoje pra amanhã, diria que é muita coisa. Meu pai às vezes me conta histórias de quando eu era menor, de como eu fixava uma data pra fazer algo, e fazia. Pra parar de chupar o dedo foi assim, e pra tirar as rodinhas da bicicleta, também. E amanhã, alguma reviravolta, proporcional à complexidade da minha vida atualmente, tem de acontecer.
Fiquei entusiasmado com tal idéia, já tá bem dentro da minha caixola. Mas se for pra acordar desorientado já no primeiro dia do ano, não vai prestar. Por isso, elaborei um plano pra cada meta que estabeleci. Digeri muitas delas em porções diárias, pequenas, pra não ficar com preguiça e não esquecer. Não vai ficar pra depois e não vai atrasar.
Quero estar ocupado o suficiente pra não ver o tempo passar em 2009. Tive uma sensação desagradável de vazio durante 2008, enquanto ficava olhando a grama da minha quadra, as crianças brincando no meio da tarde, era um perfeito vagabundo. No dia 31 de dezembro do ano que vem, quero poder dizer aqui "ei, lembra-se das metas de que falei há um ano? Pois é, consegui isto, aquilo, e aquiloutro também". Quero ter a certeza de que o meu tempo foi bem gasto e de que o meu esforço em mudar o que precisa ser mudado hoje valeu a pena. Feliz 2009.

Wednesday, December 17, 2008

Antes de dormir

Eu não sei o que acontece, mas alguma coisa muda na minha cabeça quando ela encontra o travesseiro, minutos antes de tudo virar uma grande tela branca. É naquela fração de minutos que eu pareço ter um pensamento mais claro, viajo mais e melhor, e encontro soluções pra alguns dos meus problemas.
"Amanhã não vai dar pra adiar mais", "tenho de levar meu violão pro conserto", "o que vou fazer em relação a isto ou aquilo? Humm, parece ser esta uma boa solução", "fulana tá me dando mole, será que rola de investir?", "36... hã?! É o resultado daquele exercício infeliz, e é assim que se faz..." e "finalmente a frase que completa aquela música!" são algumas vagas lembranças desses momentos de maior iluminação, não obstante a luz apagada. Vagas porque não adianta eu correr e buscar um papel pra anotar as idéias. No meio do caminho, já foi metade embora.
Um dia, porém, resolvi bancar o esperto. Lanterna, lápis e papel ficaram ali, do meu ladinho, de tocaia pra quando as elas viessem. Tinha até uma borracha de prontidão, caso o surto fosse grande. Mas não apareceu nenhuma boa idéia naquela noite. Em outras ocasiões, quando vou dormir desarmado, lá estão elas aos montes. Será que elas têm de serem anotadas?
Talvez nem todas sejam realmente boas, mas dá pra dizer que são diferentes. São coisas que eu não penso durante o dia, quando qualquer movimento me chama a atenção. E vêm como um relâmpago, que num instante brilha e ilumina outras idéias escondidas, e logo depois se apaga, atiçando a minha curiosidade.
Eu fico ali, deitado, querendo imaginar mais, pensar mais, achando que vou lembrar tudo quando acordar, mas não demora muito e o sono faz sua parte. No outro dia, vêm os problemas e as especulações rotineiras e sem sentido pra me ocupar. Algumas soluções pra eles vêm de ontem, e é pensando na vida antes de dormir que eu percebo que a minha vida evolui.

Friday, November 14, 2008

Um dia ruim para o cérebro

Eu já escrevi um texto falando sobre a ignorância nata que todos nós possuímos, mas hoje eu simplesmente preciso dizer o quanto estou me sentindo estúpido. Pois é, hoje é um daqueles dias em que eu simplesmente tenho a certeza de que sou uma besta quadrada. Não sei se já te aconteceu, mas é por aí o raciocínio, se é que há algum.
A sensação de ser um completo idiota não me agrada muito, sabe? Parece que pensar duas vezes antes de falar cada palavra não é mais suficiente. A gente fala as coisas e, antes de terminar, sabe que falou demais. Ficar calado adianta, mas nem sempre. Bom mesmo é quando a gente nem pensa e já sai soltando o verbo. E foi pensando nessas coisas óbvias e falando sobre elas que eu percebi a minha babaquice.
Pra aumentar a sensação de desconforto num dia como esse, nada melhor do que repetir um erro recente. Na hora, quem se dá conta? Passa um tempo, a cabeça baixa, mão na testa:"não acredito que fiz isso de novo". Meia hora depois e ainda tem um cérebro muito ocupado em se lamentar por qualquer bobagem relativa ao fatídico evento.
E por último, mas não menos importante, ela, sempre ela: a falta de inspiração. Não saber o que dizer é a maior prova de que nem sempre a gente tem o intelecto tão afiado quanto gostaria, e ,em especial, hoje, uma baita ironia que só deixa mais patente a minha insatisfação com meus próprios miolos.
A única luz no fim do túnel pra quem se sente idiota é que, assim como a maioria dos nossos sentimentos, esse também passa. Que amanhã, então, seja um dia em que nos sintamos mais inteligentes ou, pelo menos, menos burros.


("pelo menos, menos burros", que coisa mais idiota...)

Saturday, October 25, 2008

A tal da preguiça

Ah, a preguiça, esse mal que assola a humanidade desde o princípio do mundo e motivo pelo qual eu não venho postando há séculos. Sendo, porém, sistematicamente cobrado por alguns bondosos leitores, resolvi que era hora de menos lenga-lenga e mais posts. E foi numa dessas tardes, depois de uma conturbada soneca, que me pus a pensar sobre o que vem a ser essa força tão poderosa que nos rouba todas as outras forças.
Veio-me à caixola a imagem de quando a gente acorda. "A preguiça seria aquele saco imaginário de 500 kg que cai sobre nós quando esboçamos alguma reação contra a vontade quase irresistível de manter nossos corpos no repouso de nossos sedutores leitos", pensei.
Mas ninguém sente preguiça só quando acorda. Sentimos preguiça de muitas coisas, e até de outras pessoas. Então, quando não estamos dispostos a gastar energia e tempo com alguma coisa ou alguém, estamos com a danada da preguiça, até porque esses são recursos escassos, que a gente não pode desperdiçar. Falando desse jeito, parece até que preguiça um mecanismo de defesa (todo mundo pensa "ainda bem que eu tenho preguiça!").
Acontece que o poder defensivo desse estado de espírito é também sua maior agressão contra nós. Evolui numa reação em cadeia ao longo do tempo, de modo que quanto mais preguiça a gente sente, menos quer fazer o que tem de ser feito. E se deixa de fazer algo que precisava ser feito, sente mais preguiça de fazer outras coisas que deveria fazer. A reação continua, e gastamos mais tempo e energia adiando nossas obrigações e tentando cumpri-las de última hora, do que se as tivéssemos feito no tempo certo. Que ironia, ora bolas.
E o mais triste é que ainda não inventaram nenhum remédio eficaz contra esse mal que assola a humanidade. Só existe mesmo uma força com que podemos contar: a tal da motivação. No jogo de forças que rege cada um de nós, é certo que só há vitória quando decidimos parar de envelhecer e ignorar a porcaria do saco de 500 kg, levantando-nos da cama determinados a fazer do novo dia algo melhor do que foi o anterior.

Monday, August 18, 2008

O vizinho

Hoje aconteceu uma coisa engraçada. Minha irmã me levou pra facul, porque queria ficar com o carro e resolver umas paradas que precisava pela manhã. No final da aula, ela não pôde me buscar, então tive de voltar a pé pra casa.
Brasília definitivamente não é uma cidade feia. Apesar da secura dessa época do ano, o caminho que eu fiz era bem bonito e cheio de coisas interessantes pra ver. A uns dez passos à minha frente, ia um garoto da minha idade de mochila nas costas, vestido casualmente. Ele deu uma olhada pra trás e continuou seguindo.
Quando ele foi pra esquerda, eu fui pra direita. Passamos por um bloco comercial e atravessamos a W3. Quando entrei na 308, vi que ele ainda estava na minha frente. Parecia que a gente ia pro mesmo lugar, mas julguei ser precipitada tal suposição.
Beleza, passamos pela 308, depois pela 108, e chegou a hora de atravessar os eixos. Como nenhum de nós parecia muito disposto a encarar as passarelas subterrâneas, aventuramo-nos na travessia. Eu nunca havia corrido como um louco pra transpôr e eixão antes, e, cara, foi menos assustador do que eu esperava, embora não menos perigoso, talvez.
Como demorei um pouco mais na aventura das pistas, o carinha ficou à frente de novo uns dez passos, mas eu nem tava me importando. Passando pelos blocos aqui da quadra, ele foi reduzindoa marcha. Quando cheguei ao meu prédio, veja só, descobri que ele também morava aqui. Fui pra entrada da esquerda, e ele pra da direita. Não falamos uma palavra um com o outro, e eu nem mesmo lembro o semblante do rapaz. Mas achei incrível como o anonimato e o isolamento em nós mesmos pode tornar qualquer coincidência um fato digno de reflexão. Ah, se pelo menos a gente pudesse confiar mais nas pessoas...

Wednesday, August 13, 2008

Mulheres, abelhas e chocolate

(Atençao: este post pode soar ofensivo ou machista. Se você, mulher, tem estresse crônico, é feminista, ou apenas gosta de implicar, sinta-se livre pra pular a leitura)
Bem que eu nunca duvidei que o ser humano é um bicho como outro qualquer, mas hoje vi umas coisas que realmente me deixaram surpreso quanto ao grau de semelhança. Tava asistindo ao nem sempre útil Discovery Channel e descobri que as mulheres têm muito mais em comum com as abelhas do que os olhos grandes, o visual bacana e o ferrao.
Já viu que abelhas nao tao de brincadeira, né? Nao pode dar mole, senao leva picada. Elas estao por quase toda parte nos importunando, entrando em nossos refrigerantes e ajudando o mundo a ser um lugar mais ahm... sonoro e colorido, mas também fazem o mel que todos nós amamos e queremos.
Dizem que o jeito mais fácil de acalmar abelhas loucas pra deixar alguém dolorido é usando fumaça, porque as deixa confusas. Entao elas vazam pra colméia, se empanturram de mel e ficam de boa. A partir daí, a probabilidade de ser picado tentando roubar mel diminui!
De volta ao mundo dos seres humanos, repara só na livre associaçao. Imagina a fumaça como alguma confusao qualquer pra uma mulher. Nessa situaçao, o que ela faz? Ela vai pra casa, e chama as amigas. Em casa, elas ficam conversando potoca da vida alheia e comendo a mais fina iguaria que há pra qualquer mulher no mundo: chocolate. E depois de muito tramarem sobre suas situaçoes delicadas e se entupirem de chocolate, como que por mágica ficam calmas. Nao diria calminhas, mas pelo menos agora nao querem matar ninguem(nao no curto prazo, pelo menos).
A conclusao ao final destas breves observaçoes nao é muito diferente do que já estava no início: nós seres humanos somos bichos, como quaisquer outros. E antes que vocês, moças, fiquem iradas e parem de ler, quero dizer que nós, homens, nao somos mais inteligentes nem muito diferentes das senhoras. Só nao achei ainda uma analogia pertinente, mas com tanto bicho doido por aí, nao vai faltar comparaçao bizarra. Mas antes de começarem a maquinar, por favor, comam um chocolatezinho básico. :)

Tuesday, August 12, 2008

Teoria da Conserva Emocional

Tava vendo Malhaçao esses dias (sim, podem me zuar, pessoas cultas e soberbas que nao assistem a novelinha ;)) e aí tava rolando uma briguinha de casal, só pra variar. Parece que, depois de anos de casamento, a mulher virou pro marido e disse que era mais feliz e livre longe dele. Entao pensei comigo: "como pode ser isto?"
Tudo bem que eu nao sou o cara mais otimista que os senhores conhecem nesta área da vida, mas, véi, que coisa bizarra eu achei. Digo, como assim nao ama mais? Que coisa absurda, disse comigo. Entao comecei a me lembrar das minhas experiencias e das que já vi de perto, de longe e de relance.
Quando eu era criançola, tinha uma visao mais poetica do mundo. Até a 7a série eu achava que todo mundo tinha um par perfeito, uma cara metade que fosse unha e carne e que fosse mais natural com tempo do que a própria sombra do indivíduo. Bem, isso mudou depois de uma ida ao cinema e de eu nao ver o filme.
E o que eu aprendi depois nao vai em sentido contrário. Parece-me que esse lance de amor tem prazo de validade, da mesma forma que um enlatado em conservas que a gente compra no supermercado ou vidro de azeitonas verdes. Alguns duram a vida toda. Outros duram três dias. Se eu acreditasse em sorte, diria que é puramente na cagada que a gente encontra alguém pra vida inteira, mas ando muito pessimista pra isso.
Maior bizarrice do que essa foi só quando descobri que a Teoria da Conserva Emocional também é regida pelas trocas de calor emocional. Explico: na geladeira, os alimentos duram mais do que se estivessem expostos ao calor natural. Notei algo semelhante nos meus dilemas e paixonites até hoje.
Repara só: houve sentimentos que duraram anos sob uma troca controlada. Elas me chamavam de frio, mas ainda gostaram de mim por anos. Quando resolvi bancar o cara legal, que todo mundo diz pra gente ser, veja só, a coisa estragou rapidinho. Quando resolvi bancar o romântico, ainda mais rápido ocorreu a degradaçao, em questao de dias. Quando aconteceu foi uma merda, mas observando agora, tô achando até interessante.
Certo, muitos de vocês devem estar pensando que eu sou um doido varrido por pensar tantas coisas assistindo a uma cena de novela. Mais que isso, me julgando o cara mais mal amado que há sobre a face da Terra. Mas considerando tudo que eu disse até agora, eu realmente nao me importo muito quanto a ser mal amado. ;)
P.s.:post realizado de um note gringo. Perdoem a falta do til.

Tuesday, August 05, 2008

O singelo flautista

Estava eu descendo as escadas pra buscar um cartucho de tinta ali na comercial, quando pela minúscula janela entrou uma melodia delicada, soprada pelo vento. Era o som de uma flauta, subindo pelo ar e inundando os ouvidos de quem quer que estivesse perto dali.
Naturalmente, fiz aquela flexão e meti a cabeça na janela pra ver de onde vinha aquela maravilha. No começo, até achei que era uma gravação e me julguei retardado por estar ali querendo saber de qual apartamento vinha a música. Depois, porém, o timbre ficou tão cristalino que deu pra perceber que não era gravação: tinha alguém tocando uma flauta por ali.
Quando cheguei ao térreo, já me havia esquecido da flauta e de tudo o mais. Fui lá na lojinha, catei o cartucho e voltei. Subi as escadas, milhões de pensamentos esvoaçando na cabeça como folhas cadentes no vento.
Abri a tampa da impressora, o cartucho na mão e no jeito pra ser colocado. Eis que o som da flauta veio de novo, mas desta vez com um suave eco. Comecei a ficar bêbado com a música de novo e meus pés andaram até a janela sem que eu precisasse mandar. Foi aí que vi, passando pela quadra e tocando sua flauta, um homem simples, de chapéu na cabeça. Seu passo não era nem rápido, nem devagar. Não parecia estar pedindo nada. Também não sei dizer se tinha rumo aquele sujeito. Só sei que fez um bem danado pros ouvidos e corações que sua melodia alcançou pelo caminho.

Thursday, July 31, 2008

A corda, garoto!

Rapaz, como eu tenho preguiça de abrir a porta de casa e sair correndo ou caminhando por aí. Agora que estou fora das piscinas, exercício físico tem sido coisa rara na minha vida nem sempre saudável. Agora estou mais gordinho(engordei 2kg), meu pânceps aumentou e meu condicionamento físico foi pro saco. Em resumo, tô fora de forma.
A idéia de ficar barrigudo e sem pique, porém, não é nada atrativa pra mim. Estava eu caçando algo pra fazer e me divertir, quando vi aquela propaganda da Coca-Cola da cordinha. Achei até legalzinho, mas tinha um problema: eu nunca tinha pulado corda na vida.
Pense num marmanjo de 20 anos que nunca pulou corda. E antes que algum retardado pergunte, sim, eu tive infância. Só não tive uma corda, mas isso não vem ao caso. Pra minha felicidade, achei uma corda dando sopa dentro do meu armário(acho que era da Bruninha, mas agora é minha! Mwahaha!). Com uma cordinha até mais ou menos, eu poderia brincar enquanto juntava umas tampinhas pra trocar nas cordas da Coca.
Problema seguinte: coordenação motora. Eu sabia rodar braços em sentidos diferentes, fazer combinações malucas com os dedos, mas na hora de pular a bendita da corda, não rolou. Com um auxílio da mamãe, veja só, consegui. Depois descori que não consigo pular mais que 30 segundos sem me enroscar.
Finalmente acumulei uma quantidade boa de tampinhas e fui trocá-las. Deram quatro cordas. Descobri então que a cordinha que tinha em casa nem era das piores. Na verdade, eu esperava um pouco mais das cordinhas da Coca, mas por R$4,00 fica difícil exigir super qualidade das mulambas. Mesmo assim, elas têm um ponto alto, que é a possibilidade de emendar uma na outra e formar uma corda maior.
Certo, certo, agora tem corda sobrando aqui. Comecei a pular de verdade hoje, e até que é divertido! Não pulei mais do que um minuto sem morrer de cansado, mas pulando um minutinho hoje, dois amanhã e assim sucessivamente, não demora e eu melhoro na parada. Pular corda é altamente recomendado pra você que, como eu, não morre de amores pela corrida nem pela caminhada, não tem uma piscina decente por perto e não quer ficar sem se mexer. Supimpa!